Arquivos | fevereiro, 2011

Viver

27 fev

“Eu faço as minhas coisas, você faz as suas.  Não estou neste mundo para viver de acordo com as suas expectativas, e você não está nesse mundo para viver de acordo com as minhas. Você é você e eu sou eu.  E se, por acaso, nos encontrarmos, é lindo e se não, nada há a fazer.”

Fritz Perls

O que é viver?

Definição – quase desesperadora – no dicionário:

viver
vi.ver
(lat viverevint 1Existir, ter vida (o animal ou o vegetal):Vivera muitos anos. O país vivia, como sempre viveu. vtd 2Empregar, passar (a vida): Viver uma vida calma e feliz. vtd 3Apreciar, gozar (a vida): Oh! vidinha de estudante, que jamais viverei! vpr 4 Existir; passar a vida: “Os peixes… lá se vivem nos seus mares e rios” (Padre Antônio Vieira). vtd 5 Ter de vida: Disse-lhe o médico que ele viveria uns três meses. vti 6Morar, residir: Viva cada um em sua casa. Meus irmãos vivem em São Paulo. vti 7 Nutrir-se, sustentar-se: “Há quase três dias que só vive de beberagens” (Visconde de Taunay). vti evint 8 Procurar ou tirar os meios para passar a vida: Vivia o apóstolo de fabricar tendas. A minha renda chega para eu viver parcamente. vtivint 9 Freqüentar a sociedade, ter convivência: Vivia Bernardes mais com o coração do que com o mundo. Conhecia os homens, vivera bastante. vtivint 10Comportar-se, portar-se, proceder: Viveu quase em ascetismo até agora. Viveu santamente. vti 11 Manter-se com determinado assunto: “As cenas teatrais deste país viveram sempre de tradições” (Machado de Assis). vti 12 Conservar-se: Costume que vivia apenas na tradição. vti 13 Durar, passar à posteridade, perpetuar: “A tua glória em meus versos eterna farei viver” (A. F. de Castilho). Antôn (acepções 1, 5, 10, 12 e 13): morrer. sm Vida, ação de viver; procedimento, comportamento. Já ter vivido: estar no último quartel da vida.Não viver: passar a vida só trabalhando, sem gozar, sem se divertir. Quem viver verá: modo de prognosticar a realização de um fato. Ter vivido muito: ter gozado ou ter-se divertido bastante. Viver à discrição: viver ao acaso, não cuidar do dia de amanhã, não se limitar nas suas despesas. Viver à larga: a) ser desregrado nos seus gastos; b) passar a vida despreocupadamente. Viver à lei da nobreza: ter uma vida de estado, de grandeza. Viver a sabor: satisfazer todos os apetites e caprichos. Viver a seu modo: viver de acordo com a sua razão ou gosto, sem se guiar pelo exemplo alheio nem se importar com a opinião dos outros. Viver à sombra de: ser ajudado ou protegido por alguém. Viver a sós consigo:concentrar-se, não comunicar os seus pensamentos. Viver às sopas de: viver à custa de (alguém), receber alimentação de (alguém). Viver bem: levar a vida de acordo com a moral.Viver bem com: estar em boa inteligência ou em boas relações com alguém. Viver com economia: gastar o estritamente preciso; ser parco nas suas despesas. Viver como Deus com os anjos: conviver com (alguém) na melhor harmonia. Viver como Deus é servido: passar a vida parcamente, sofrer privações. Viver como um rei: viver faustosa e regaladamente. Viver com regime: a) o mesmo que viver em dieta; b) o mesmo que viver com economia. Viver da graça de Deus: ter muito pouco, ou nada, de seu, para se sustentar.Viver da sua agência: ganhar a vida em diferentes trabalhos e serviços que as circunstâncias deparam. Viver da sua indústria: só ter como renda o produto do seu trabalho. Viver da sua reputação: ser considerado e respeitado pela honrosa memória da sua vida passada. Viver de arriba: viver de expedientes, viver à custa de outrem. Viver debaixo do mesmo teto: viver na mesma casa. Viver de caretas:contentar-se com promessas e boas palavras sem exigir que sejam cumpridas. Viver de expedientes: recorrer a espertezas, a burlas, a intrujices para adquirir os meios de subsistência, por não ter modo certo de vida. Viver de indústria: usar de meios menos lícitos para ocorrer às suas despesas. Viver de nada: alimentar-se com muito pouco. Viver de recovado: viver sem nada fazer. Viver de suas mãos: sustentar-se com o produto do seu trabalho. Viver do ar: o mesmo que viver de nada. Viver em apuros: achar-se em grandes dificuldades; ter poucos recursos, poucos meios de subsistência. Viver em boa harmonia: viver em paz e amizade. Viver em comum ou v. em comunidade: coabitarem diferentes pessoas, ocorrendo todas com o preciso para as despesas comuns. Viver em dieta:seguir o regime rigoroso que a Medicina prescreve aos doentes. Viver em família: a) viver exclusivamente com os seus familiares; b) não freqüentar a sociedade; c) viver em companhia, como se fosse da mesma família. Viver em paz:viver em sossego e na abastança. Viver fidalgamente: viver como um fidalgo, gastando à larga e sem trabalhar. Viver fora do seu século: não compreender o espírito do século em que vive; ter idéias retrógradas. Viver mal: levar a vida em desacordo com a moral. Viver mal com: estar em má inteligência ou em más relações com alguém. Viver na desgraça: o mesmo que viver na miséria. Viver na graça de Deus: levar a vida praticando a religião, viver devotamente.Viver na memória: a) ser lembrado ou celebrado depois de morto; b) ter morrido há pouco tempo. Viver na miséria: não ter meios de subsistência, ser extremamente pobre. Viver na tradição: ser tradicionalmente transmitido de geração em geração. Viver no seu canto: viver afastado da sociedade, viver isolado, retirado. Viver pela graça de Deus: o mesmo queviver da graça de Deus. Viver pelo amor de Deus: socorrer-se à caridade pública. Viver por milagre: o mesmo que viver da graça de Deus. Viver sobre si: custear as suas despesas, viver independente. Viver sobre um leito de rosas: viver entre prazeres; viver feliz e ocioso; viver na moleza.

 

Como complicamos a vida. Desde crianças escutamos: – “Não pode fazer isso e aquilo. Não. Não. Não…”.  São tantas regras “vomitadas” sem explicação, “verdades absolutas” e inquestionáveis que geram um medo inconsciente de errar, falhar e ser rejeitado.

Quantas expressões positivas o dicionário exemplifica? A maioria é fruto das cargas culturais impostas por gerações, cheias de preconceitos e pudores. Não vivemos pelos outros, temos é MEDO de todas as imposições.

Mulher não pode usar saia curta pois é vulgar, sendo que propaganda de mulher só com lingerie tem por todo lado. Se eu sair na rua de calcinha e sutiã estarei cometendo um atentado ao pudor? A atriz da propaganda é vulgar e não merece respeito? Mas ela está ganhando bem por isso, não?

A vida já tem um “trajeto”: nascer, estudar, “ser alguém”, casar, ter filhos, netos, envelhecer e morrer. Uma vida de obrigações… Às vezes me perguntam se quero ter filho e digo que não pretendo. Daí, não satisfeitos pois, claro, estou me rebelando contra “as regras”, me dizem que no momento certo o sentimento maternal irá despertar em mim.

Não sejamos hipócritas!

Não vivemos pelos outros. Vivemos por nós, por nossas paixões.  Ao decidirmos dividir nossa vida com alguém é por vontade própria, é pela nossa felicidade… Ou você casou com alguém que nunca amou, mas que era loucamente apaixonado por você? Não somo tão bonzinhos e nem devemos.

Quem aqui trabalha com o único objetivo de enriquecer o outro? Trabalhamos por nós, pelo dinheiro que irá – ou deveria – nos proporcionar alguma satisfação, conforto ou conquista PESSOAL, para passar parte da semana fazendo algo que efetivamente amamos – ou deveríamos – em condições humanas e satisfatórias. Caso contrário, estamos nos prostituindo para sustentar algo que está bem longe de ser uma vida.

Círculos sociais existem geralmente por interesse ou por prazer. Eis um ponto que particularmente me incomoda, e muito. Eu não tenho o menor interesse em “arrumar assunto” para ser simpática, tenho preguiça de eventos sociais “obrigatórios”, tenho desprezo pelas conquistas geradas por pura politicagem e mérito zero, ou quase. Conviver é um fato, é bom, importante, natural e deve acontecer, afinal não estamos sozinhos… E aí não saber conviver já um problema chamado neurose.

A questão é: prefiro ser eu mesma, conservar meus ideais, respeitar a opinião alheia, ser obrigatória e reciprocamente respeitada, fazer amigos de forma natural, poder sair e me vestir como me faz bem, aceitar quem faz diferente… Enfim, um ensinamento tão básico e simples: não fazer ao próximo o que não gostaríamos que fizessem conosco.

Seria capaz de escrever um livro sobre o que considero viver, mas acho para este post basta concluir que eu vivo para me satisfazer, ser feliz e estar aberta ao novo, ao diferente, sem julgamentos ou preconceitos, mas sim admirando o jeito que cada um faz além de simplesmente existir. E quem quiser, que aceite.

 

“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o disperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional”.

Drummond

 

“Acreditar em algo e não o viver é desonesto e covarde”.

Gandhi

 

A vida é curta e, portanto, não deve ser nula. Liberte-se dos pudores, eles nunca lhe pertenceram.

 

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